Protesto

Carreata contra Bolsonaro reúne mais de 200 veículos em Pelotas

As políticas adotadas pelo presidente em relação à vacinação contra a Covid-19 e o fim do auxílio emergencial nortearam a manifestação neste sábado

Carlos Queiroz -

As nuvens carregadas no céu de Pelotas na tarde deste sábado (30) não assustaram aqueles que estavam dispostos a sair pelas ruas da cidade, em carreata, para protestar contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Pelo menos cem veículos se reuniram na concentração, na praça da Alfândega, bairro Porto, aguardando a saída do carro de som pela rua Benjamim Constant. Junto a eles, motociclistas e ciclistas engrossaram o manifesto. Todos seguiram os protocolos de segurança da pandemia do coronavírus, um dos principais motivos que mobilizou sindicatos, movimentos sociais, ONGs e a sociedade civil a levantar bandeiras, buzinar e a ecoar o grito de “fora Bolsonaro, vacina já!" pelas ruas da cidade. Ao longo do percurso, muitos pelotenses aderiram ao protesto, também buzinando ou acenando positivamente.

O professor de antropologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Jorge Eremites de Oliveira, representou sua indignação vestindo uma camisa estilizada com as cores da bandeira do Brasil. "Eu sou brasileiro e não posso deixar que fascistas roubem o que é do povo". Oliveira trabalha com povos indígenas e mostra muita preocupação com a etnia, uma vez que muitos índios, segundo ele, estão sendo hostilizados por estarem no grupo prioritário da vicinação contra a Covid-19.

Roteiro de protestos

O ato, convocado pela Frente em Defesa do Serviço Público e das Conquistas Sociais e Trabalhistas, colocou Pelotas no roteiro dos protestos contra o governo Bolsonaro. Para segunda-feira (1º), ainda está previsto um panelaço. "O processo de vacinação está um caos no Brasil, a começar pela comercialização, e o fim do auxílio emergencial fará com que a fome bata à porta de muitas pessoas, principalmente na nossa região, que é desindustrializada", disse o presidente do Sindicatos dos Alimentos de Pelotas, Lair de Mattos. Para os organizadores do ato, o descaso permanente do governo com a pandemia do coronavírus faz com que o Brasil ainda careça de um plano nacional de vacinação que busque a imunização rápida e massiva, salvando, assim, milhares de vidas. "Semana que vem chegaremos a 230 mil vidas perdidas e, a cada dia que passa, milhares de pessoas se contaminam", lamentou o sindicalista.

Para a presidente do Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp), Tatiane Lopes Rodrigues, mais do que nunca é necessário que as pessoas saiam às ruas para expressar a indignação. “Chega de tanto desmando", diz. Ela cita também a falta de políticas públicas para saúde, educação e meio ambiente, e lembra que a crise no Brasil teve início antes da pandemia. Diante desse cenário, a Frente em Defesa do Serviço Público, das Conquistas Sociais e Trabalhistas, que reúne dezenas de entidades sindicais, partidárias e dos movimentos sociais de Pelotas, quer, como medida fundamental e necessária, o pedido de impedimento de Jair Bolsonaro.

A carreata, que durou mais de duas horas e contabilizou mais de 200 veículos em certos momentos do trajeto, seguiu pela rua General Osório, passando ainda pelos bairros Fragata, Centro e Areal, antes de encerrar, na avenida Bento Gonçalves.

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